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A moda e o padrão de beleza

A representatividade limitada da moda e o seu diálogo com os padrões de beleza impostos pela sociedade


O corpo fora do padrão para capas de revistas é maioria na sociedade, mas ainda assim não é esse o cenário apresentado pela maioria das grandes marcas. Um dos maiores objetivos dessas grandes marcas é vender seu produto e conquistar um público, criando assim um nome e uma identidade para a marca. Como a venda do produto é importante as propagandas estão cada vez mais atrativas e buscam a conexão com o público consumidor. 


Essa conexão com o público alvo é importante principalmente devido à adesão do meio virtual pela população no geral. Com a internet o consumidor tem acesso a diversas plataformas e diferentes produtos de várias marcas. Isso faz com que a escolha da compra aconteça pela identificação. Mas qual a relação entre compra e venda online e a moda para corpos “fora do padrão”?


Discute–se muito sobre a diversidade e a representatividade abordada pelas marcas influentes filtrando, de certa forma, seu público. Para incluir as pessoas consideradas gordas, as marcas criaram suas linhas plus size, mas durante muito tempo, as roupas “da moda” não tinham suas versões em tamanhos maiores e quando tinham eram confeccionadas pensando em um público senhoril com características similares. Isso quer dizer que mulheres “gordas” eram obrigatoriamente mais velhas e deveriam seguir um estilo específico escondendo os braços e a barriga, por exemplo. 


Com o avanço da moda, mudar os modelos marcados como plus size tornou-se necessário para atingir, também, o público mais jovem. Assim, a diversidade nos modelos aumentou, mas a visibilidade nas redes não. Então como vender um produto sem dar visibilidade? Pensando nisso e no “bem estar” da empresa, criar propagandas mostrando a diversidade das suas coleções ficou “em alta”. 


Entrar nas redes sociais de grandes marcas é ver representatividade de forma limitada e pontual em algumas campanhas especiais, mas não em todas as coleções. Isso provoca uma felicidade e sentimento de inclusão momentânea no público alvo e facilita a identificação, mas sem representar de fato. 


Um exemplo de como grandes marcas utiliza da identificação, mas sem realmente representar foi mostrado com o início da semana de moda primavera/verão 2021 e no desfile – sem plateia – a Versace apresentou, pela primeira vez, três modelos que não seguem os padrões de beleza comuns das passarelas, e não apenas uma como a maioria das outras marcas fazem. Porém, ainda assim a maioria dos seus modelos continua sendo fabricados para um grupo não apenas financeiramente restrito, mas também em suas medidas. As modelos na passarela agregam valor à ideia de representatividade pela marca, mas não incluem realmente o público fora dos padrões como consumidores de fato.


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Maria Paula Morais, 19, natural de São João del Rei é aluna do curso de Comunicação

Social – Jornalismo oferecido pela UFSJ. Demonstrou interesse pela escrita desde

pequena e já se aventurou pelas publicações outras vezes e está empolgada com a

oportunidade oferecida pela Pro Outro Olhar.


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